
"Quando me encontrarem será tarde, para qualquer outro desfecho diferente deste, em que o luar se esbate sobre as laminas ensanguentadas em cima da minha cama."
Abril de 2008 em quarto 210

"Há corações no chão do meu quarto, caídos em outras noites, bem mais escuras e frias que esta, em que as manhas tardaram a surgir, deixando assim o monstro acordado tempo de mais."
julho de 2008 em choveu
quarto, chuva, silencio, noite

"Continuo a queimar histórias de amor para iluminar os meus serões, também por uma questão de arrumação… Sentado faço a minha higiene emocional, como se depilasse o coração duas vezes por mês."
outubro de 2007 em choveu

skin por Headlight Productions.
imagens de Shagagraf
Todos os textos são de minha autoria, se os utilizar, por favor faça referencia ao autor dos mesmos e ao blog.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Porta trancada.
Acordo, anos depois, em frente à porta que eu mesmo selei numa noite coragem e angustia. Uma porta que me separa de um quarto onde não quis mais voltar. Divisão esquecida ao fundo de um corredor sem luz em que o estuque disfarça ulceras antigas na estrutura da parede.
Continua trancada, reflectindo a inabalável solidez que lhe permitiu resistir a arrombamentos de outros eus. Madeira à prova de sentimentos, onde as ilusões arremessadas encontraram um fim tão imediato como trágico.
A textura da porta, tal como uma cicatriz, desencadeia em mim reminiscências passageiras que me afogam os olhos. Surge a suspeita... Some-se o desejo visitar o quarto interdito e entranha-se o fantasma que em iguais noites me afastou deste local.
Mas permaneci... Quero entrar.
Abro a porta e revelo que a tranca que hoje arrombei não tinha como missão esconder algo que me atormentara ou medo da dor... medo do amor. Era sim a barreira que me impedia de ser completo.